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No teu deserto, Miguel Sousa Tavares

Terça-feira, 14.07.09

Numa palavra?

Magnífico!!!

 

No teu deserto é o último lançamento de Miguel Sousa Tavares. Um "quase romance" como se pode ler na capa do livro.

Comprei-o no passado domingo, depois de ter dido a mim mesma que este mês não iria comprar mais nenhum livro, visto ler imensos em lista de espera para ler. Mas, a tentação foi maior do que a minha vontade, não resisti e comprei o livro. Um "quase romance" de 128 páginas que li em pouco mais de 3 horas.

Já é sabido por todos que Miguel Sousa Tavares é um viajante por natureza e que as suas viagens servem para inspiração para as suas obras, relanto-as de uma maneira tão real que nos faz viver o que as suas personagens vivem.

 

Segundo o semanário Sol, No teu deserto "parte de uma viagem que Miguel Sousa Tavares fez há vinte anos ao deserto do Sahara, onde conheceu uma mulher, Cláudia, que já morreu."

Escreve o autor na nota de intenções: «Passou-se comigo há vinte anos e muitas vezes pensei nela, sem nunca a contar a ninguém, guardando-a para mim, para nós que a vivemos. Talvez tivesse medo de estragar a lembrança desses longínquos dias, medo de mover, para melhor expor as coisas, essa fina camada de pó onde repousa, apenas adormecida, a memória dos dias felizes»

 

Contado a duas vozes, a de Cláudia e a do jornalista (que presumo ser o próprio Miguel Sousa Tavares), No teu deserto tem tudo para ser mais um best-seller.


Como é habitual, deixo-vos com algumas citações da obra, para vos abrir o apetite:

 

"Depois disso, voltei onze vezes ao Sahara (...) E, cada vez que voltei, pensei em ti e pensei como seria bom, voltar contigo. Nessas alturas, como nas outras, eu repetia a mim mesmo: 'Não há regresso. Há viagens sem regresso nem repetição'. Lembras-te quando, no último dos irrepetíveis dias daquela viagem, estávanos nós a amarrar em Gibraltar, debruçados na amurada do barco que nos tinha trazido de Marrocos durante a noite, olhando a manhã de Dezembro, limpa e deslumbrante sobre as águas quietas do Estreito, e tu me perguntaste:

- Em que pensas?

- Estava a pensar que há viagens sem regresso. E que nunca mais vou voltar desta viagem. Nunca mais vou regressar do deserto."

 

in, No teu deserto, pp. 114, Oficina do Livro, 1.ª edição

 

"Hoje já ninguém vai ao deserto, Cláudia. Os fundamentalistas islâmicos, como os de Laghouat, tornaram-se sanguinários e incontroláveis e os próprios tuaregues revoltaram-se contra o poder de Argel.

Mas a principal razão não é essa. A razão principal é que já não há muita gente que tenha tempo a perder com o deserto. Não sabem para que serve e, quando me perguntam o que há lá e eu respondo 'nada', eles riscam mentalmente essa viagem dos seus projectos. Viajam antes em massa para onde toda a gente vai e todos se encontram. As coisas mudaram, Cláduia! Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se de telefonemas, mensagens escritas, mails e contactos no Facebook e nas redes socias da Net, onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida. Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se encontrarem, contactam-se, para não perder tempo; em vez de se descobrirem, expõem-se logo por inteiro: fotografias deles e dos filhos, das férias na neve e das festas de amigos em casa, a biografia das suas vidas, com amores antigos e actuais. E todos são bonitos, jovens, divestido, 'leves', disponíveis, sensíveis e interessantes. E por isso é que vivem esta estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo aos pés, não aguentam nem um dia de solidão. Eis porque já não há ninguém para atravessar o deserto. Ninguém capaz de enfrentar toda aquela solidão.

Eu próprio não creio que lá volte mais. A menos que tu descesses das estrelas e quisesses vir comigo outra vez. Que pudéssemos ambos apagar todo o mal, todos os danos e todos os enganos, todos os anos perdidos que ficaram para trás, desde essa manhã límpida nas águas de Gibraltar. Mas eu sei que não há regresso: eu mesmo to disse."

 

in, No teu deserto, pp. 118-119, Oficina do Livro, 1.ª edição

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por Paula Patricio às 21:15

Equador, Miguel Sousa Tavares

Sábado, 03.01.09

Devia ser das poucas pessoas que ainda não tinham lido o Equador - mea culpa.

Comprei este best-seller em 2003, aquando da sua publicação - para oferecer a uma pessoa que foi e sempre será muito especial para mim e era suposto lê-lo mais tarde. Por razões diversas e que não interessam para aqui, as nossas vidas foram separadas e não tive oportunidade de ler o Equador que ofereci.

O ano passado, pelo Natal, resolvi oferecer a mim mesma este livro que à muito esperava ler e, como seria de esperar, adorei a obra e li-a em tempo record.

É simplesmente magnífica a história e a maneira como Miguel Sousa Tavares escreve sobre um tema tão controverso.

Como disse Eduardo Lourenço "Equador é mais interessante do que as pessoas possam imaginar. É muito clássico, a muitos títulos. Queirosiano e aquiliniano. É talvez o último romance do império. Do nosso Império em chamas."

 

Deixo aqui uma citação da obra que não vai desvendar qualquer mistério do enredo do livro (para quem ainda não o leu). É uma simples citação que achei interessante colocar aqui.

 

"As ilhas são lugares de solidão e nunca isso é tão nítido como quando partem os que apenas vieram de passagem e ficam no cais, a despedir-se, os que vão permanecer. Na hora da despedida, é quase sempre mais triste ficar do que partir e, numa ilha, isso marca uma diferença fundamental, como se houvesse duas espécies de seres humanos: os que vivem na ilha e os chegam e partem.

(...)
Quando o navio partia (...), a praia de embarque era infinitamente mais triste para os que ficavam, a cabela ligeiramente curvada de resignação, lenços nervosamente enrolados nas mãos, algumas lágrimas furtivas que os olhares alheios não consentiam que corressem livremente, à luz do dia. E todos ficavam quietos e  mudos na praia, vendo os escaleres terminar o embarque dos passageiros e carga de última hora, vendo o pesado vapor activar as caldeiras, levantar ferro com um ranger de despedida e, lentamente, pôr-se em marcha e ir aos poucos ganhando velocidade, como se tivesse pressa em afastar-se dos que ficavam, antes de, como era de tradição, apitar à passagem do cabo, desaparecendo da baía e do olhar dos que o tinham seguido sempre, esperando talvez uma súbita e absurda manobra de arrependimento e de regresso."

 

in, Equador

Edição Especial Novembro 2008

páginas 313 - 315

 

 

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por Paula Patricio às 21:42


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